Tesouro Selic: entenda tudo sobre este investimento

O perfil do investidor brasileiro é, em sua maioria, considerado conservador. Dessa forma, investimentos que possuem mais riscos ficam de fora da lista dos mais procurados. Por esse motivo, a caderneta de poupança continua sendo a principal opção de investimento dos brasileiros que conseguem poupar uma parte do salário, mas aos poucos outras modalidades de investimento, como o Tesouro Selic, têm chamado atenção de uma parte deste público, que está em busca de rentabilidade acima da praticada pela poupança e muita segurança.

A ideia deste artigo é explicar em detalhes o que é o Tesouro Selic e dar o passo a passo de como começar a investir neste título, considerado o mais conservador do programa do Tesouro Direto. Os seguintes tópicos serão abordados:

  1. O que é o Tesouro Direto?
  2. O que é o Tesouro Selic?
  3. Rentabilidade do Tesouro Selic
  4. Tem impostos?
  5. Tem taxas?
  6. É coberto pelo FGC?
  7. Para quem é indicado?

Tenha uma ótima leitura!

O que é FGC

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional de venda de títulos públicos federais para pessoa física através da internet. O emissor dos títulos é o Tesouro Nacional, ou seja, o próprio governo brasileiro.

Dessa forma, ao comprar qualquer um dos títulos oferecidos na plataforma o investidor torna-se credor do governo, que automaticamente passa a ter uma dívida com ele, e se compromete a devolver o dinheiro acrescido de juros incorridos durante o período de investimento.

Os títulos públicos federais, que nada mais são que títulos da dívida pública brasileira, são divididos em duas categorias: prefixados (LTN e NTN-F) e pós-fixados (LFT, NTN-B e NTN-B Principal). Se você não sabe a diferença entre um título prefixado e um pós-fixado, leia o artigo Diferença de Prefixado x Pós-fixado.

O que é o Tesouro Selic?

O Tesouro Selic, também conhecido como Letra Financeira do Tesouro (LFT), é considerado um título pós-fixado, uma vez que sua rentabilidade está atrelada a variação de um índice, que no caso é a taxa Selic, considerada a taxa básica de juros da economia.

Atualmente, a meta da Selic está em 7% ao ano, enquanto a Selic over, que é a taxa utilizada na remuneração do Tesouro Selic, está cotada em 6,9% ao ano. Por que existe essa diferença? Porque a meta da Selic é divulgada a cada 45 dias pelo COPOM (Comitê de Política Monetária), órgão que, segundo o Banco Central, é responsável por estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros. Já a Selic diária – também chamada de Selic over – equivale a média ponderada das taxas praticadas nos financiamentos entre as instituições financeiras em um dia. Como forma de diminuir os riscos, essas operações são lastreadas em títulos públicos federais, e toda negociação é realizada no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) na forma de operações compromissadas, em que, ao mesmo tempo, há um compromisso de recompra pelo vendedor do título e um compromisso de revenda pelo comprador.

Para saber qual é a taxa Selic diária, basta acessar a homepage do site do Banco Central e olhar no canto superior direto. É possível consulta-la também no aplicativo Renda Fixa, tanto na plataforma web quanto no mobile (Android e IOS).

Para não ficar repetitivo, sempre que for falado sobre a taxa Selic neste artigo, queremos falar da taxa Selic over, ok? Agora vamos ao próximo tópico.

Rentabilidade do Tesouro Selic

A rentabilidade do Tesouro Selic é diária e totalmente atrelada à variação da taxa Selic, divulgada todos os dias pelo Banco Central. Dessa forma, se o governo decidir baixar a taxa de juros, a rentabilidade cai, se decidir aumentar, a rentabilidade sobe.

Mesmo com a taxa Selic em queda, atualmente em 6,9% ao ano, a rentabilidade real continua acima da inflação, uma vez que a inflação oficial (IPCA) deve encerrar o ano em 2,78% ao ano, segundo o último Boletim Focus, divulgado em 22/12/2017.

Tem impostos?

Assim como a maioria dos investimentos de renda fixa, o Tesouro Selic está sujeito a incidência de Imposto de Renda e IOF sobre a rentabilidade do período. Para o imposto de renda, as alíquotas são as seguintes:

  • Até 180 dias de investimento, 22,5%;
  • De 181 a 360 dias, 20%;
  • De 361 a 720 dias, 17,5%;
  • Acima de 720 dias, 15%.

Caso o período de investimento seja inferior a 30 dias, também será cobrado o Imposto sobre Operações Financeiras sobre a rentabilidade, mais conhecido por IOF, que varia de 96% no primeiro dia de investimento a 3% no 29º dia de investimento. Se quiser saber mais detalhes sobre a tributação dos investimentos de renda fixa, aconselho a leitura do artigo Entenda a tributação dos investimentos de Renda Fixa.

Tem taxas?

Existem dois tipos de taxas que podem ser cobradas no Tesouro Direto: taxa de custódia da BM&FBovespa e taxa de administração por parte da Corretora de Valores.

A taxa de custódia da BM&FBovespa é obrigatória e equivale a 0,30% ao ano sobre o valor total dos títulos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic, até o saldo de 1.500.000 de reais. A taxa é provisionada diariamente a partir da data de liquidação da operação, que ocorre dois dias após a compra do título, ou seja, em D+2. Independe da corretora que você escolher, esta taxa será cobrada.

A cobrança é realizada semestralmente, no primeiro dia útil de janeiro ou de julho, em caso de vencimento do título, venda antecipada ou pagamento de juros, o que ocorrer primeiro, ou quando as taxas devidas à BM&FBovespa e à Instituição financeira somadas ultrapassarem o valor de 10 reais. Para o primeiro ano de aplicação, normalmente as corretoras cobram a taxa de administração sobre a operação. Para os demais anos de aplicação, as taxas são provisionadas diariamente, da mesma forma que ocorre com a taxa devida à BM&FBovespa.

De qualquer forma, a cobrança da taxa de administração depende das políticas de cada corretora. Atualmente grande parte das corretoras não cobram essa taxa, mas é sempre bom pesquisar. Para consultar as taxas cobradas e o prazo de repasse dos recursos de cada instituição, acesse este link.

Como faço para investir?

Para investir não só no Tesouro Selic, como em outros títulos públicos disponíveis na plataforma do Tesouro Direto, é necessário ter uma conta na Corretora de Valores ou Banco de interesse (chamados também de agentes de custódia), desde que a instituição esteja habilitada para isso. Normalmente, é necessário enviar cópias do RG, CPF e comprovante de residência, além de preencher e assinar o formulário solicitado. Todo o processo costuma ser totalmente online.

É coberto pelo FGC?

O Tesouro Selic não é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege o investidor até o limite de 250.000 reais por CPF e por instituição financeira. De qualquer forma, títulos federais, por serem emitidos pelo próprio Tesouro Nacional, que é o “caixa” do governo brasileiro, são considerados os ativos mais seguros do mercado.

Para quem é indicado?

Por ser o título que possui baixa volatilidade de preços, o Tesouro Selic é indicado para investidores que possuem perfil conservador e não sabem quando irão precisar resgatar o título. Em caso de venda antecipada, o Tesouro Nacional irá recomprar o título pelo preço de mercado no momento da venda.

Espero que esse artigo tenha ajudado a entender tudo sobre o Tesouro Selic. Ficou com alguma dúvida? Quer sugerir algum tema pra gente falar aqui no blog? Comente aqui embaixo que a gente responder o mais rápido possível! Abração =)

Sugestões de artigos: Títulos Públicos x Títulos Privados | A importância da diversificação de Investimentos


Equipe App Renda Fixa
contato@rendafixa.rocks

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By | 2018-01-11T14:08:39+00:00 janeiro 10th, 2018|Investimentos|0 Comments

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Felipe Pires
Formado em Administração pela PUC-SP, é apaixonado por temas relacionados a investimentos e finanças pessoais. Atua como diretor de conteúdo do App Renda Fixa e editor-chefe do Blog Renda Fixa.

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