Por que meu investimento no Tesouro Direto está negativo?

Uma dúvida muito comum, em especial para os investidores iniciantes, é acerca da rentabilidade negativa do Tesouro Direto, que pode afetar em algum momento as suas aplicações nesse investimento e acabar deixando você confuso.

Isso porque o investimento no Tesouro Direto sempre costuma ser apontado como uma das aplicações mais confiáveis e seguros do mercado de investimentos. Então, como a aplicação poderia ter uma rentabilidade negativa?

Se alguém tem dinheiro aplicado nesse investimento e vê o rendimento negativo, é natural que fique desconfiado, afinal de contas, sempre é dito que o Tesouro Direto é uma das melhores opções para investir.

Para responder às suas dúvidas sobre o tema, no artigo de hoje iremos falar sobre a eventual rentabilidade negativa do Tesouro Direto. Confira.

No que consiste a rentabilidade negativa?

Caso você consulte uma tabela de rentabilidade bruta acumulada dos títulos comercializados através do programa Tesouro Direto, você poderá perceber na mesma, alguns valores negativos indicados.

Os valores desse tipo de tabela revelam a rentabilidade desses títulos, em porcentagem, durante certo período de tempo (que pode ser os últimos 30 dias, o mês anterior, o ano ou os últimos 12 meses, por exemplo).

Entretanto, um número negativo, nesse caso, não necessariamente indica que você está tendo algum prejuízo.

Na verdade, é preciso salientar que, caso você mantenha a sua aplicação até a data de vencimento do título que você adquiriu, a rentabilidade negativa não vai afetar o mesmo em nenhuma circunstância.

Tal regra é aplicável a todos os títulos comercializados no programa, como o Tesouro Selic, o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado.

Isso significa, portanto, que casos de rentabilidade negativa só irão afetar os títulos que você adquiriu caso você realize a venda antecipada do mesmo, ou seja, se você vender o seu título antes da data de vencimento estabelecida na aquisição do aporte.

Ainda assim, a rentabilidade negativa não afeta todos os títulos, podendo acometer somente naqueles que possuem ao menos uma parte de sua rentabilidade pré-fixada. Neste caso, o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado.

Já no caso do Tesouro Selic, que possui rentabilidade pós-fixada, a rentabilidade negativa não ocorre nem no caso de resgates na data de vencimento, nem em caso de venda antecipada do título.

Porque os títulos da dívida pública dão “prejuízo”?

O Tesouro Direto consiste em um programa do governo federal através do qual são comercializados títulos da dívida pública – como o Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+.

Basicamente, o que podemos dizer sobre esses títulos, é que os mesmos enfrentaram uma época de rentabilidade negativa em virtude de uma marcação a mercado.

Isso significa que por serem negociados no mercado financeiro todos os dias, a variação no preço dos títulos do Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ oscilam em razão das expectativas do mercado, dos agentes financeiros e do aumento ou da diminuição da taxa SELIC.

Assim, quando o mercado, na figura dos investidores considerados de forma coletiva, acredita que a taxa SELIC (que é a taxa básica dos juros) vai subir ou que o ritmo de queda da mesma vai diminuir, os títulos da dívida pública comercializados pelo Tesouro Direto também tendem a sofrer uma queda.

Por outro lado, entretanto, caso o mercado acredite que a taxa SELIC vai cair, a rentabilidade desses mesmos títulos tende a ser maior.

Em maio desse ano, pudemos observar a primeira da situação que descrevemos.

O que aconteceu foi que, nessa época, o mercado apostou que a taxa SELIC não iria cair mais que os 6,5% ao ano em virtude dos acontecimentos econômicos e políticos do país.

Em um momento inicial, a comunicação equivocada pelo Banco Central acerca da taxa SELIC fez com que o mercado acreditasse que a mesma ia diminuir a sua queda, e poderia, inclusive, passar por um ciclo de alta.

Num segundo momento, a situação acima, aliada à paralisação realizada pelos caminhoneiros no país, fez com que o mercado acreditasse em um eventual aumento das taxas de juros, pelo menos dentro do curto prazo.

Isso tudo, fez com que o mercado acreditasse que a SELIC poderia sofrer uma alta para que pudesse contar a pressão da inflação.

Essa confluência de fatores fez com que o mês de maio de 2018 fosse bastante ruim para os títulos comercializados pelo Tesouro Direto, que costumam ter o seu preço atrelado às expectativas do mercado.

O que fazer nesse momento?

A saída nesse caso é bastante simples, você deverá manter o seu investimento nos títulos comercializados pelo programa Tesouro Direto.

Isso porque, desta forma, você vai poder receber a rentabilidade líquida positiva da sua aplicação, que foi estabelecida em termos exatos no momento em que você contratou o aporte.

Para exemplificar:

Caso você tenha investido aproximadamente 1 mil reais em títulos do programa do Tesouro Direto no mês de janeiro e o contato previa o pagamento de uma rentabilidade de 5% ao ano, mas, ao verificar o seu extrato, percebeu que o saldo acumulado é de 900 reais, não se preocupe.

O valor apontado, reflete somente o saldo que você receberia caso resgatasse o seu título neste momento.

Caso você mantenha a aplicação até a data de vencimento, entretanto, você vai receber exatamente a rentabilidade que foi contratada no momento em que você adquiriu o título.

Isso significa que, no vencimento do título, a rentabilidade total acumulada (com inflação no período de 5,5% ao ano), tiver sido de 100%, você vai receber 2 mil reais brutos, ainda que quando o mesmo chegar à data de vencimento, a situação do mercado seja parecida com a vivenciada em maio de 2018.

O que considerar para programar os seus investimentos?

O ideal, quando for realizar aplicações financeiras, é que você deve programar os seus investimentos de acordo com os prazos estabelecidos para os seus objetivos que não são financeiros.

Segundo o que foi explicado neste artigo, o investimento nos títulos da dívida pública que o Tesouro Direto comercializa, não servem para especulações.

Esse tipo de investimento deve ser usado para que você realize os objetivos adequados em cada momento da sua vida, de preferência, objetivos de longo prazo.

Dessa maneira, você deve programar suas aplicações nesses títulos para que resgate o investimento apenas na data do vencimento da mesma, escapando assim da possibilidade de ter uma rentabilidade negativa.

Para exemplificar:

Vamos supor que no ano de 2024 você queira adquirir um veículo e decida usar o programa para investir o dinheiro que será usado para tal.

Nesse caso, o ideal é que você realize seus aportes, seja de forma única ou de forma periódica em um título do Tesouro IPCA+ 2024 e resgatar o dinheiro aplicado apenas quando for comprar o seu carro.

A compra do veículo, segundo o plano de investimentos traçado, estaria prevista para acontecer no momento em que o resgate programado da aplicação também deveria acontecer: em 2024.

No caso dos seus objetivos em relação à aplicação financeira sejam de curto prazo, porém, como ter dinheiro para uma viagem de fim de ano ou para comprar os presentes de natal, por exemplo, ou no caso dos objetivos para os quais você não definiu uma data certa, vale mais a pena aplicar dinheiro no Tesouro Selic.

Isso porque esses títulos não estão sujeitos às variações do mercado e você pode resgatar seus rendimentos a qualquer momento sem se preocupar com uma eventual rentabilidade negativa.

Assim, se você conferir a rentabilidade das suas aplicações no Tesouro Direto e perceber valores negativos eventualmente, não se preocupe com prejuízos.

Essa rentabilidade negativa que algumas das modalidades dos títulos do programa apresentam são situações excepcionais e temporárias.

Você deverá manter a aplicação até a data final de vencimento, estabelecida na contratação. Dessa forma, é uma certeza de que a sua rentabilidade não será negativa.

Nos momentos de eventual pânico no mercado, você deve manter a cabeça fria e agir com calma, conduzindo assim as suas aplicações financeiras para que você alcance os objetivos que planejou quando começou a investir.

Evite tomar decisões com base nas emoções momentâneas causadas pelo pânico do mercado.

O mais importante nesse caso, não é apenas suportar a pressão psicológica de consultar os extratos da sua aplicação e observar os resultados negativos, mas sim traçar objetivos claros acerca desse investimento, procurando sempre combinar o prazo do papel com o prazo das suas aplicações financeiras.

Dessa maneira, você evita se desgastar quando o mercado enfrentar situações adversas como a que aconteceu no mês de maio de 2018 e não prejudica as suas aplicações.

Para ter sucesso no mundo dos investimentos, você precisa ter foco, disciplina e planejamento, seja investindo nos títulos da dívida pública do programa Tesouro Direto, seja em qualquer outro tipo de aplicação financeira.

Agora você já sabe porque seus investimentos no Tesouro Direto podem ter uma rentabilidade negativa, como isso acontece e o que fazer para se proteger dessa situação.

Se você gostou desse artigo e quer saber mais estratégias de investimento e conferir dicas financeiras, continue acompanhando as nossas postagens e confira também os nossos artigos anteriores.

Artigos que podem ser úteis para você: Poupança X Tesouro Selic: Qual investimento rende mais?Suspensão do Tesouro Direto: Por que isso acontece?

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By | 2019-02-05T21:13:50+00:00 dezembro 25th, 2018|Investimentos|0 Comments

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