Guia básico do Tesouro IPCA

O Tesouro IPCA é uma das modalidades de títulos públicos federais disponíveis na plataforma do Tesouro Direto. As constantes altas na taxa Selic que foram vistas entre os anos de 2014 e 2016 atraiu uma grande quantidade de investidores para o mercado de renda fixa. Durante esse período, muitas pessoas começaram a se dar conta que existem aplicações que têm rentabilidade muito superior a tradicional caderneta de poupança e, em alguns casos, facilidade de resgate muito similar.

O brasileiro, no geral, tem o perfil mais devedor do que poupador, mesmo em períodos de economia estável. A crise econômica dos últimos anos agravou ainda mais este quadro, e os índices de inadimplência e saques da poupança não pararam de subir. O hábito de poupar, infelizmente, não é muito comum no nosso país, e o reflexo disso em um futuro não muito distante pode ser desastroso para aqueles que não fizeram o “pé de meia” ao longo da vida.

Devido a falta de educação financeira, essa pequena parte da população que têm o hábito de poupar acaba por deixar suas reservas financeiras em aplicações com baixa rentabilidade, parado na conta corrente ou mesmo guardado em algum cômodo da casa. O grande problema de deixar o dinheiro guardado em casa ou em aplicações que rendem muito pouco é a perda de valor do dinheiro no tempo, reflexo da inflação que sempre esteve presente na nossa economia. Ao deixar o dinheiro parado na conta corrente ou guardado em casa é, na prática, perder dinheiro.

Proteger o dinheiro da inflação é essencial para garantir um futuro tranquilo e sem dor de cabeças, e o Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com juros semestrais são títulos que fazem essa proteção, cada um com as suas características. O objetivo deste artigo é explicar de forma didática todo o funcionamento do Tesouro IPCA. Tenha uma ótima leitura!

Tesouro IPCA+ vs. Tesouro IPCA+ com juros semestrais. Qual é a diferença?

Ao entrar na plataforma do Tesouro, o investidor que está interessado em aplicações que protegem da inflação vai encontrar duas modalidades de títulos: o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal); e O Tesouro IPCA+ com juros semestrais (NTN-B). Os títulos são muito parecidos, e a principal diferença se dá no fluxo de pagamento de juros.

Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal)

O Tesouro IPCA+ é considerado um título pós-fixado, uma vez que o investidor não sabe qual será o valor de resgate na data de vencimento. A rentabilidade está atrelada a duas variáveis: uma taxa prefixada contratada no momento da aplicação e a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do período.

Como o IPCA é considerado o índice oficial da inflação no Brasil, esse título garante um poder de compra acima da inflação e, consequentemente, rentabilidade real positiva, independente da variação da inflação, desde que o título seja resgatado apenas na data de vencimento acordada. Em caso de venda antecipada, o Tesouro Nacional vai recomprar os títulos pelo preço no momento da venda, cuja rentabilidade pode ser maior ou menor que a contratada. Sendo assim, é um título ideal para quem pretende resgatar apenas na data de vencimento do título.

Esse título é indicado para o investidor que pretende poupar pensando em objetivos de prazos mais longos, como aposentadoria ou compra da casa própria, por exemplo. Não é indicado para formação da reserva de emergência, uma vez que o preço desse título sofre muitas oscilações durante o prazo da aplicação e há risco de perda.

Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B)

O Tesouro IPCA+ com juros semestrais é muito parecido com o Tesouro IPCA+. Em questão de rentabilidade, esse título também garante aumento do poder de compra, já que ela também está atrelada a uma taxa prefixada contratada no momento da aplicação e a variação do IPCA durante o prazo do investimento, porém a diferença, conforme foi falado no tópico anterior, se dá no fluxo de pagamento.

No Tesouro IPCA+ possui fluxo de pagamento simples, ou seja, o investidor recebe os juros contratados da aplicação somente na data de vencimento. No Tesouro IPCA+ com juros semestrais possui fluxo de pagamento periódico, e o pagamento de juros ocorre a cada semestre, antecipando a rentabilidade contratada.

É indicado para quem pretende ter um complemento de renda desde o momento da aplicação, já que os juros do investimento são pagos a cada seis meses. Na data de vencimento do título, o investidor receberá, além do último pagamento dos juros do semestre, o valor investido corrido pela inflação de todo o período.

Caso o investidor precise resgatar o título antes da data de vencimento, o Tesouro Nacional recompra os títulos à preço de mercado. Da mesma forma que foi descrito no Tesouro IPCA+, a rentabilidade pode ser maior ou menor do que a contratada se ocorrer a venda antecipada.

Vale ressaltar que há incidência de imposto de renda a cada pagamento de juros, conforme a tabela regressiva do IR.

Imposto de Renda

Tanto o Tesouro IPCA+ quanto o Tesouro IPCA+ com juros semestrais estão sujeitos ao imposto de renda sobre a rentabilidade do período, seguindo a tabela regressiva comumente usada em grande parte das aplicações de renda fixa.

  • Até 180 dias de aplicação, 22,5%;
  • De 181 a 360 dias, 20%;
  • De 361 a 720 dias, 17,5%;
  • Acima de 720 dias, 15%.

Caso o período de investimento seja inferior a 30 dias, também será cobrado o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que incide sobre o rendimento. Este imposto varia de 96% no primeiro dia de investimento a 3% no 29º dia de investimento.

Riscos

Por serem títulos da dívida pública federal brasileira, assim como os demais títulos da plataforma do Tesouro Direto, são considerados os investimentos com o mais baixo risco de crédito de mercado. O risco aqui é de calote soberano, ou seja, do governo não honrar com o pagamento da dívida que tem com você e outros credores.

Falando em risco de mercado, o investidor poderá perder dinheiro caso o resgate aconteça antes da data de vencimento do título, já que o Tesouro Nacional vai recomprar os títulos de acordo com o preço de mercado no momento da venda, que poderá ser maior ou menor do que a rentabilidade contratada no ato da aplicação. As oscilações são normais, e variações nos preços dos títulos sempre vão acontecer.

Espero que esse artigo tenha ajudado a entender o básico do Tesouro IPCA. Ficou com alguma dúvida? Quer sugerir algum tema para a gente falar aqui no blog? Comente aqui embaixo que iremos responder o mais rápido possível! Abração =)

Artigos que podem ser úteis: Tesouro Selic | Tesouro Direto: Tudo sobre esse tipo de investimento

Compartilhe esse artigo com seus amigos! ;)
By | 2018-03-23T19:17:05+00:00 março 26th, 2018|Investimentos|0 Comments

About the Author:

Formado em Administração pela PUC-SP, é apaixonado por temas relacionados a investimentos e finanças pessoais. Atua como diretor de conteúdo do App Renda Fixa e editor-chefe do Blog Renda Fixa.

Leave A Comment