Formação de preços das Opções

O artigo de hoje é uma continuação do primeiro artigo sobre opções do nosso blog. No primeiro eu abordei o conceito de opções, suas características, além de suas utilidades. Já esse artigo, vai se aproveitar de tudo que foi dito anteriormente e ainda dar alguns passos a mais para entender melhor esse mercado.

Ao longo do texto vou relembrar de forma resumida o conceito de opções, em seguida irei explicar melhor como é formado o preço das opções. Lembrando que o mercado de opções só é recomendado para investidores de perfil agressivo.

Relembrando opções

Antes de abordar a precificação de opções talvez seja importante lembrar-se de alguns conceitos. A seguir é apresentado um resumo com os principais:

Titular (comprador) – É o detentor da opção, quem tem o direito.

Lançador (vendedor) – É o vendedor da opção, quem tem a obrigação.

Prêmio – É o valor pago pelo titular ao lançador para adquirir a opção.

Preço de exercício (Strike) – Preço acertado para exercício do direito.

Preço do Ativo-objeto – Preço do ativo subjacente (ação).

Vencimento – É a data em que cessa o direito do titular, terceira segunda-feira do mês.

Opção de Compra (Call) – Garante ao seu titular o direito de comprar o ativo-objeto no vencimento, a um determinado preço.

Opção de Venda (Put) – Garante ao seu titular o direito de vender o ativo-objeto no vencimento, a um determinado preço.

Código das Opções

Antes de entrar na parte de preços eu gostaria de abordar de maneira rápida como é formado o código das opções. O código de uma opção carrega o ativo-objeto, a data de vencimento e seu preço de exercício. Por exemplo, o código de negociação para uma opção de compra do Itaú é ITUBK40, as quatro primeiras letras são o código da ação do Itaú, a letra K indica o vencimento para o mês de novembro e o preço de exercício (strike) igual a R$ 40,00. É importante ressaltar que a letra intermediária (5ª letra) é que irá fazer a distinção entre opções de compra e de venda.

A seguir é apresentada a tabela com as informações dos códigos de vencimento das opções de compra e venda para cada mês do ano.

Classificação das Opções

É possível classificar as opções de três formas de acordo com a relação entre o strike da opção e a cotação atual do ativo-objeto. A classificação da opção vai impactar diretamente na formação de seu preço.

– “dentro do dinheiro” (in the money) – é quando a opção possui valor intrínseco, isto é, quando compensaria exercer a opção se a data de exercício fosse hoje. Exemplo, a ação ITUB4 está sendo cotado em R$ 45 e você possui uma call com strike R$ 40, então valeria apenas exercer seu direito.

– “no dinheiro” (at the money) – é quando a opção está no limite entre possuir ou não valor intrínseco. São as opções que trazem mais incertezas e, portanto, geralmente são as mais negociadas no mercado (alta liquidez). O prêmio de risco nelas é alto.

– “fora do dinheiro” (out of the money) – é quando não valeria a pena exercer a opção. Uma opção de compra sobre ações está fora do dinheiro quando o preço de exercício é maior que a cotação da ação, por exemplo, ITUB4 sendo cotada a R$ 45 e você tem uma call com strike R$ 50. Neste caso, ela não possui valor intrínseco, e seu valor espelha apenas a possibilidade da ação vir a subir antes da data de exercício.

Preço de uma Opção

Um dos pontos mais importantes no processo de aprendizado do mercado de opções é entender quais os fatores que afetam os preços das opções. A importância de se entender os conceitos torna fácil e possível esclarecer muitos pontos acerca do comportamento das opções.

As opções têm seus preços determinados pelas forças de oferta e demanda do mercado. Do ponto de vista teórico, o prêmio de uma opção depende de dois fatores: o valor intrínseco e o valor extrínseco.

Valor Intrínseco – É o ganho financeiro caso a opção fosse exercida imediatamente.

Valor Extrínseco – Expressa a remuneração pela possibilidade de que o valor intrínseco suba entre o presente e a data de vencimento da opção.

Para calcular de fato o preço da opção existem cinco fatores muito importantes. Os principais fatores são:

Preço da ação (S) – Preço da ação sobre a qual a opção é referenciada.

Strike (X) – Preço pelo qual o titular da opção pode exercê-la.

Volatilidade (σ) – Estima o grau de incerteza em relação ao nível de preço de mercado do ativo-objeto.

Tempo (T) – Tempo até o vencimento da opção.

Taxa de Juros (r) – Quanto maior a taxas de juros, maior será o prêmio de uma Call e menor será o de uma Put.

Quando o preço do ativo-objeto (ação) sobe, também sobe o preço da call, por outro lado cai o preço da put. É simples de entender esse movimento, se a ação está se valorizando então a opção que garante o direito de compra também vai se valorizar, todos querem exercer a opção. No caso da put compensa mais vender a ação ao preço de mercado do que exercer a opção.

A variável tempo influi no caso de opções “fora do dinheiro”, isso implicará numa maior probabilidade de não ocorrer o exercício e, portanto, menor preço da opção. Imagine uma opção de call com strike R$ 30, se o ativo-objeto está sendo cotado por R$ 20 uma semana antes do vencimento, a tenência é a opção virar pó, ou seja, não ter preço. Mas se em vez de uma semana, fosse dois meses, nesse caso existe a possibilidade do preço da ação subir, então a opção teria mais valor.

A volatilidade, como dito, mede a incerteza em relação ao nível de preço de mercado do ativo-objeto para uma determinada data no futuro. Num modelo de avaliação de derivativos é a volatilidade é uma das principais variáveis. Quanto maior a expectativa de grandes movimentos no preço do ativo-objeto, maior a probabilidade de que a opção seja exercida obtendo-se um ganho e, portanto, maior será o prêmio pago por esta opção. A volatilidade pode ser:

– Histórica – é calculada pelo desvio padrão dos movimentos no preço da ação, de preferência, para períodos bem recentes.

– Implícita – o cálculo da volatilidade implícita toma como base o prêmio da opção mais líquida do mercado (At the money). A volatilidade implícita pode ser então, comparada à que o investidor considera apropriada, e esta comparação é usada como guia para a negociação da opção.

Espero que tenham aprendido mais com o artigo de hoje e se ainda ficou alguma dúvida, por favor, deixem nos comentários. Vou ficando por aqui, um abraço a todos e até logo.

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By | 2019-02-05T21:26:10+00:00 agosto 8th, 2018|Investimentos|0 Comments

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Carlos Simão
Mestre em Teoria Econômica pela UEM e formado em Ciências Econômicas pela UNESP, se interessa por temas relacionados a investimentos, macroeconomia, empreendedorismo e finanças pessoais. Atua como criador de conteúdo e consultor econômico no App Renda Fixa.

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