Mitos na hora de investir

Você já deve ter escutado alguma história do tipo “investir é para ricos” ou também “invista em cimento e não terá tormento”- bom, talvez essa não porque fui eu que inventei- mas a ideia é que são diversos os mitos que cercam o mundo dos investimentos e que podem confundir a cabeça do investidor iniciante. Se você tem alguma dúvida, saiba que ter um bom planejamento e investir o seu dinheiro com inteligência é o jeito mais simples que alcançar seus objetivos.

No artigo de hoje vamos desvendar cinco mitos que o investidor pode encontrar na hora de decidir fazer suas aplicações, caso vocês ainda tenham alguma crença em relação a esse assunto é só continuar a leitura.

  • Investir é coisa de gente com dinheiro

Esse é o mito que mais distancia as pessoas de fazerem boas escolhas, planejarem seu futuro e terem bons rendimentos. Duas coisas podem levar a esse pensamento, primeiro acreditar que comprometer uma parte do seu salário com planos futuros pode prejudicar seu orçamento hoje ou até que produtos de investimento custam muito caro e só quem pode ter acesso a eles são pessoas com muito dinheiro.

Ambos são mitos, pois planejando as suas finanças e reduzindo gastos desnecessários é possível aumentar sua parcela de poupança, para isso é necessário que você passe todas suas despesas para uma planilha. Segundo especialistas, fica muito mais fácil visualizar estratégias do que pode ser feito com nosso dinheiro apenas colocando nosso orçamento em um papel (ou na tela de um computador).

O ideal é que você invista de 10%-20% da sua renda mensal, mas isso pode ser construído aos pouco, conforme você for trabalhando o seu orçamento e entendendo mais sobre a necessidade de investir seu dinheiro. É importante lembrar que conforme os anos passam nossa disposição para o trabalho se torna menor, por isso garantir uma estabilidade nos anos futuros é fundamental.

Em relação ao alto custo de investir, esse é um dos maiores mitos, você pode comprar títulos do Tesouro Direto por apenas 1% do seu valor unitário respeitando a quantia mínima de R$30. Ou seja, é possível comprar frações do título, essa informação é possível ver na plataforma do Tesouro Direto por esse link.

Existem fundos de investimento também com bons rendimentos e aporte mínimo de entrada de R$100. E mais, investir em ações também não é caro como muitas pessoas imaginam, você pode comprar de forma fracionada e com valores bem baixos ser um acionista de uma grande empresa. Só tenha cuidado com as taxas cobradas pelas instituições financeiras, procure uma que tenha tarifas menores para essa modalidade de investimento para que seja vantajoso para você.

  • É melhor investir em grandes bancos

Em nosso sistema financeiro existem cinco grandes bancos que juntos detém 80% do mercado. Vocês provavelmente já sabem quais são e é mais provável ainda que tenham conta em algum deles. O fato é que a confiança e solidez que essas instituições passam para o público tem um custo. Prometo que isso vai fazer sentido no final deste tópico.

Vamos supor que eu, você e o Joaquim trabalhamos na mesma empresa. Porém, o Joaquim entrou há algumas semanas e ainda não conversamos muito com ele, já nós dois estamos nessa empresa há cinco anos e já somos amigos. Agora, imagina que eu esteja passando por uma situação complicada em minha casa e te peça um dinheiro emprestado, no mesmo dia o Joaquim que também está vivendo um problema, faz esse mesmo pedido. Você só pode emprestar o dinheiro para uma pessoa e precisa fazer uma escolha.

Para no mínimo essa situação ser justa, é necessário que o Joaquim ofereça alguma coisa que seja mais atrativa do que eu. As garantias que ele oferece são menores, pois por ser uma pessoa que você não tem tanta proximidade, pode ser um pouco perigoso. Caso o Joaquim prometa retornar esse empréstimo com uma taxa de juros bem mais alta do que eu, é provável que você já comece a pensar na possibilidade de emprestar o dinheiro para ele, correto?

A lógica para bancos menores e maiores é bem parecida. Instituições mais sólidas e reconhecidas não precisam oferecer taxas muito altas para captar investidores. Por terem um nome forte no mercado isso já é por si um fator bastante atrativo. Agora bancos médios e pequenos precisam oferecer rentabilidades maiores para poderem disputar esse mercado com os demais.

  • A poupança é o único investimento seguro

Somente um investimento foi confiscado na história do país, sabem qual? A queridinha caderneta de poupança. Tal medida fez parte do pacote econômico do então presidente Fernando Collor e tinha como finalidade combater a hiperinflação no país. O fato é que ninguém esperava por uma ação tão radical e a medida deixou muitos brasileiros sem dinheiro em suas contas de um dia para outro.

Porém, parece que o trauma foi superado, pois segundo levantamento do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojista, 61% dos consumidores aplicam seu dinheiro na poupança e sua maior justificativa por essa escolha é a segurança e liquidez.

Falar que a poupança é o investimento mais seguro ou o único investimento seguro é um mito infelizmente muito comum. A caderneta de poupança possui a mesma segurança que outros títulos de renda fixa como CDB, RDB, LCI, LCA, LC, LH e a LI. Essa proteção é a garantia do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito.

O FGC protege o investidor em caso de falência ou intervenção da instituição financeira. O limite é de R$250 mil por CPF ou conglomerado financeiro. Por exemplo, caso você invista R$50 mil em um CDB do banco X e esse banco vá à falência e não possa cumprir com o compromisso de pagar o seu investimento. Nesse caso o Fundo Garantidor de Crédito entra em cena e garante a devolução do seu dinheiro.

Em relação à liquidez, existem outras aplicações nas quais você pode solicitar o resgate e ter o dinheiro em sua conta até o dia seguinte. É o caso do Tesouro Selic, dos CDBs com liquidez diária e dos Fundos de Renda Fixa, esses são excelentes produtos para quem deseja formar uma reserva de emergência.

  • Investir em imóveis é sempre o melhor negócio

Esse era um papo muito comum na época dos nossos avós, viver da renda e da valorização dos imóveis era praticamente uma realização. Porém, hoje por conta do refinamento do mercado financeiro existem produtos bem mais vantajosos, fora que fazer investimento em imóveis pode apresentar alguns riscos.

O principal risco é o de liquidez, imagina a situação do proprietário de um imóvel que precise de dinheiro por conta de alguma emergência. Caso ele não tenha outra forma de ter esse valor em mãos, terá que se desfazer do seu bem. Colocar um imóvel a venda é algo bastante complicado, como estamos falando de uma situação emergencial, é muito provável que para que ele consiga vender esse bem tenha que ofertá-lo por um preço menor do que esperava vender.

Esse segundo risco (o de vender por um preço abaixo do que comprou e poder ter um resultado negativo) é o risco de mercado. A gente sabe que são poucas as pessoas hoje com dinheiro suficiente disponível para comprar logo à vista um apartamento. Por isso que esses riscos devem ser levados em consideração na hora de fazer uma escolha.

No entanto, é claro que essa é uma escolha que vai totalmente de perfil, para muitas pessoas ter um patrimônio, algo físico pode trazer uma maior segurança. Porém, é importante que você entenda os riscos e conheça diferentes alternativas que podem apresentar uma maior rentabilidade. Fizemos um artigo aqui no blog que fala como investir em imóveis sem ser propriamente dono de um, para ler é só clicar no link.

  • A rentabilidade deve ser o principal critério na hora de escolher um investimento

Muitas pessoas só prestam atenção em uma variável na hora de investir: a taxa de rentabilidade. Por conta disso acabam se esquecendo de outros critérios como o prazo de resgate do título, nível de risco, qual o aporte mínimo que o título permite, entre outros.

O primeiro passo que um investidor iniciante deve seguir é conhecer seu grau de tolerância ao risco, nós temos um questionário em nosso aplicativo, o link é esse para acessar a versão web, mas você pode responder também na versão mobile. Saber qual o seu perfil de investidor irá indicar quais são os produtos que estão mais alinhados para o que você busca. Por exemplo, um investidor mais conservador poderá não se sentir muito confortável com as oscilações do mercado de renda variável.

Outro ponto é em relação a data de vencimento, produtos com prazos de resgate mais longos costumam oferecer boas taxas de rentabilidade, isso porque quando você faz um investimento em renda fixa está emprestando dinheiro a uma instituição financeira que utilizará esse valor como crédito para quem precisa de recursos. Assim, para períodos mais longos quando o compromisso do banco envolve um tempo maior, a taxa oferecida também será maior.

A grande questão é que caso você precise vender seu título antes do tempo, poderá ter prejuízo. O banco ou corretora poderá penalizar o investidor pelo descumprimento do prazo. Por isso é fundamental seguir um planejamento e conhecer o horizonte temporal dos seus objetivos, diversificar também pode ser uma boa estratégia para não ficar sem liquidez em períodos de emergência.

Concluindo

O mercado financeiro é cheio de mitos é, por isso, muito importante entender seu funcionamento para não cair em contos e acabar deixando de planejar seu futuro e aplicar seu dinheiro. Deixar seu dinheiro parado ou em produtos com baixo rendimento por acreditar no que estão comentando pode ter graves consequências. A melhor estratégia é sempre investir em conhecimento para derrubar esses mitos e ir atrás de informações de qualidade.

Sabem que qualquer dúvida podem contar com a gente, além do blog temos canal no YouTube e no aplicativo um canal de contato direto com os nossos usuários, é só ir na aba “Fale com o especialista”. O link para baixar o aplicativo é esse aqui.

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By | 2018-09-10T16:34:05+00:00 setembro 10th, 2018|Dicas de como poupar, Investimentos|0 Comments

About the Author:

Fernanda Fonseca
É formada em Economia com especialização em Finanças e pós graduada em Economia Comportamental. Curiosa por assuntos que envolvam o comportamento humano e decisões financeiras.

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